Vivendo o que não pode ser vivido #7

Em 07.01.2015   Arquivado em Contos

Acordei me sentindo muito feliz, mas assim que abri os olhos me veio um total sentimento de medo, medo da reação que viria a seguir, sim eu estava mais uma vez com medo de todo que estava acontecendo a maldita insegurança que eu sempre tive e que sempre esta perto de mim. Me virei na cama e vi que estava sozinho ali, e claro que minha cabeça começou a trabalhar e pensar milhões de coisas, logo eu já estava com o celular na mão e ligando para Rodrigo
– Oi Rodrigo, desculpa estar te ligando assim tão cedo, sei que ainda esta dormindo, mas é que eu queria saber se você poderia levar minha mochila com minhas coisas lá em casa mais tarde.
– Oi Rafa, realmente eu estava dormindo, e claro eu levo sim, mas aconteceu alguma coisa? Por que você não vai vir aqui? Pode ir me falando já que me acordou tem que ter um bom motivo.
– Não é nada, é só que eu realmente preciso ir pra casa, e como minha chave ficou na mochila eu acho que vou precisar dela mais tarde caso eu for fazer alguma coisa na rua.
– A sim tudo bem então, eu levo sim sem problemas. Assim depois você vai poder me contar direito essa história.
– Ok obrigado, e pode voltar a dormir agora.
Ele apenas resmungou algo que não entendi e desligou o celular, e eu levantei a procura de minhas roupas ao encontra-las me vesti e conferi se estava tudo comigo, e então fui abrir a porta e para minha sorte não tinha ninguém no corredor o que já era uma grande vitória. Sai sem ser visto por ninguém e depois me senti mal por não ter avisado ao Arthur que estava indo embora, Mas decidi que iria avisa-lo quando chegasse em casa.
Eu estava a poucas quadras da casa de Arthur quando meu celular começou a tocar, atendi sem nem ao menos ver quem era, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ouvi
– Rafael onde você ta? como você some assim do nada de dentro da minha casa? já revirei a casa inteira atrás de você e não te achei onde você ta?
– Bom dia pra você também Arthur, eu to bem obrigado por perguntar…
– Não me venha com sarcasmo e que bom que você esta bem, mas agora é sério onde você ta?
– Eu estou agora exatamente agora a 4 quadras da sua casa, indo em direção a minha casa.
– E por que motivo você sai assim sem nem falar comigo? E não me avisa? Aconteceu alguma coisa?
– Não esta tudo bem eu só não queria incomodar mais, e eu iria avisar assim que eu chegasse em casa.
– E espera ai, pelo o que eu entendi você vai andando até a sua casa? Não vai mesmo eu vou ai te buscar vou pegar o carro do meu pai e to indo te levar em casa.
– Não faça isso ou eu vou ser obrigado a sumir de novo, e você deve ter visto que eu sou muito bom nisso.
– Não adianta eu vou mesmo assim pode ficar parado ai onde esta que eu já estou saindo daqui.
Eu fui responder que não queria de novo, mas ele já tinha desligado o telefone e eu continuei a andar, não iria ficar parado ali no meio do nada sozinho. Me assustei com a rapidez que ele apareceu com o carro do meu lado. ele parou e desceu do carro, e veio em minha direção me abraçando.
– Desculpa se te deixei sozinho no quarto, é que eu estava resolvendo algumas coisas lá em casa.
– Tudo bem esta desculpado, mesmo que eu nem tenha ido embora por esse motivo, foi apenas que eu realmente queria ir pra casa.- eu disse olhando para todos os lados menos para ele
– Se eu fingir que acredito nisso você vai entrar no carro e deixar que eu te leve em casa?
– Ta tudo bem quer me levar me leva não vou ficar brigando por isso até porque eu sei que vou perder essa.
– Que bom que sabe disso.- ele disse com um sorriso de vitória estampado em seu rosto.
O trajeto foi absurdamente longe e silencioso, fiquei queto apenas pensando em tudo o que estava acontecendo desde o dia em que Rodrigo chegou e o que mais me deixou curioso era saber que sim eu tinha ficado com o Arthur e que isso ao mesmo tempo que me deixava feliz, me deixava muito triste. Afinal aquilo não iria pra frente, Arthur comigo? não iria dar certo nunca, mas mesmo assim o tempo que ficávamos perto era muito bom, e me fazia muito bem.
Chegamos na frente da minha casa e eu me virei para me despedir dele.
– Rafael, não sei o que você tanto veio pensando, mas eu sei que você veio pensando desde que entrou no carro, então pode me dizer se fiz algo que eu não deveria ter feito?- ele perguntou um pouco sério e com um olhar triste.
– Não precisa se preocupar você não fez nada de errado, é só que…- eu parei de falar e abaixei a cabeça já com os olhos cheios de lagrimas querendo cair, respirei fundo e continuei- é só que eu tenho muita coisa na cabeça não precisa se preocupar.
– Se você vai insistir nisso tudo bem, mas de qualquer forma eu venho aqui mais tarde trazer a sua mochila.
– Não precisa eu falei com o Rodrigo ele falou que vem trazer pra mim mais tarde.
– Eu vou ir buscar meu carro agora e já pego a sua mochila e venho te trazer ela lá pelas 19:00.
Eu apenas assenti e ele sorriu.
– Bom então eu vou indo, até mais tarde.- eu disse e sai de dentro do carro. Arthur saiu também e veio em minha direção.
– Nem um abraço ou um beijo? não mereço nada disso?- ele perguntou com uma cara de cachorro que caiu da mudança.
Fui até onde ele estava e o abracei e agradeci de novo pela noite e por ter me levado até em casa, antes de sair do abraço eu olhei nos olhos dele e o beijei os lábios, sorri e me afastei dele. Entrei em casa e logo chegou uma mensagem no meu celular.

(Continua…)

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